—E de amor apaixonado, minha senhora.

—Esse sentimento é que eu de todo desmereço, por que não lh'o posso retribuir. Devo dizer a v. ex.ª que vou entrar n'um mosteiro, em satisfação á vontade de meu pae. É aprazivel para mim satisfaze'-lo de um modo, quando me é de todo impossivel satisfaze'-lo por outro. Meu pae deve merecer a benevolencia do sr. conde pelos esforços que empregou em convencer-me a ser esposa de v. ex.ª. Resisti, por que não posso. A dignidade de meu pae está salva; e eu salva me considero da responsabilidade de fazer desgraçado o sr. conde, por condescendencia com a vontade de meu pae.

—Ahi ha outra cousa, minha senhora...—atalhou o fidalgo.

—Que póde haver?

—V. ex.ª ama outro homem.

—Amo.

—Ah!... diga-me isso... Provavelmente é mais rico e mais fidalgo que eu?

—É um homem. Que lucra v. ex.ª em saber-lhe as{135} qualidades, que o meu coração não discute? É um homem, que eu amo, ha cinco annos, e que amarei até á morte.

—Isso ha-de passar com a reflexão, minha senhora. Póde ser que elle não seja tão digno de v. ex.ª como eu, nem a ame com tanto fogo.

—Será minha a infelicidade; basta-me, porém, ser amada como sou.