--Tem v. ex.a orgulho do seu feito!

--Tenho; tenho legitimo orgulho de ter fugido á sociedade antes que ella me repellisse.

--E se ella o abraçasse na sua pobreza?

--O senhor não conhece os homens. Se os conhecesse, sua sobrinha seria hoje a feliz virtuosa que foi.

--E é, se não feliz, virtuosa... mais, pela paciencia, e pela esperança...

--Esperança!...

--Esperança, sim, de o ver rehabilitado perante ella e o mundo. Ouça-me, sr. Alvaro. Comece hoje a ser amigo de sua mulher, se póde. Verá o que é um anjo. Verá como ella o faz esquecer da sua posição infeliz n'este mundo. Aquelle poder de Deus, que as minhas mãos indignas não souberam empregar na sua regeneração, verá v. ex.a o que é nas mãos da pobresinha recolhida de Sant'Anna. Queira ve'-la, que ella não lhe fugirá. Vá ve'-la. Não cuide que tem de pedir perdões, accusando-se de ingratidões e crueldades. Vá como se não tivessem corrido seis annos sem se verem, sem se escreverem. A sua salvação é ella que a tem no thesouro da nobre alma que Deus lhe enche todos os dias de conforto e esperança...

Alvaro escutára o longo discurso do padre, sem quebrar-lhe a successão de palavras qual d'ellas mais tocante.

Frei Antonio por fim, abraçando-o com carinhosa effusão, perguntou:

--Vae, sr. Alvaro?