XIX
Joaquim Nunes passou para a residencia de frei Antonio.
Nos primeiros dias a sua doença recrudesceu, consequencia do abalo physico e moral da mudança.
Depois, um ar de melhora fez crear esperanças aos facultativos. Esperanças não mentidas fôram essas, porque ao cabo de um mez de alternativas, o enfermo entrou em convalescença, e veiu a restabelecer-se.
No primeiro dia que saíu a passeio, de sege, trouxe comsigo um tabellião.
Chamou á sua presença os consortes, e fez ler um testamento, em que instituia Alvaro da Silveira e sua mulher seus universaes herdeiros. O testamento foi alli rasgado e o tabellião lavrou uma escriptura de doação de todos os seus bens a Alvaro e sua mulher, com a condição de o alimentarem na sua companhia. As especies sommadas dos bens doados excediam a meio milhão.
XX
Esta dotação não alterou a felicidade d'aquella familia. Correram muitas lagrimas de alegria, mas essa alegria era a da gratidão, era o expansivo respirar das quatro nobres almas que alli se vincularam n'uma só vontade.
E a vontade de Joaquim Nunes respeitavam-n'a todos. Quiz elle que Alvaro fosse viver no palacete de seu pae, quiz que revivesse o antigo fausto d'aquella casa, quiz que a familia de Maria fosse a de todos. Cumpriram-se os seus bons desejos.
A felicidade d'esta numerosa familia é indescriptivel. Até 1849, em que todos viviam, nenhum d'aquelles semblantes fôra annuveado pela tristeza.