VII

Caír de elevada jerarchia, quando os braços da religião não amparam o infeliz na queda, deve ser morrer!

Altearmo'-nos a despeito de muitos, que não podem voejar tanto acima, é provocar-lhes a inveja. Olha'-los em baixo, quando nos cospem o fel da inveja, deve ser-lhes o maior dos castigos; mas, se d'ahi a mão de Deus nos atira ao raso dos invejosos, se a desgraça nos marca, no meio d'elles, um circulo onde rodar com o peso de affrontas, que a nossa arrogancia enfardára... tal vida é a preexistencia do inferno.

Ha tres remedios para alliviar angustias de tal lance:

A resignação;

O cynismo;

O suicidio.

A resignação não é só o amparo d'aquelle que resvala no precipicio das honras d'este mundo; é mais: a resignação não deixa caír o homem, que olha sempre, com temor, o despenhadeiro, em que de ao pé de si se abysmaram colossos, e ruiram edificios fundados sobre areia. Levantado pela Providencia, o homem, que teme a Deus, não se julga, no vertice das glorias, posto ahi pela mão do destino. Quem lhe promette o dia de ámanhã, vinculado aos acontecimentos de hoje? Quem lhe diz hoje que a taça do seu mel ha de ámanhã trasbordar de lagrimas? Quem affiança á aguia, dominadora dos espaços, que, de mais alto, o açor se libra para abate'-la nas urzes?

E, quando a nuvem do infortunio escurece aquellas alegrias, que formavam o cortejo da nossa riqueza:--quando a sociedade nos retira os contentamentos, vendidos pelo ouro, que perdemos... quem é esse destino que accusamos? onde existe essa mentirosa fatalidade que nos humilhou? onde encontraremos o primeiro acaso, que nos felicitára, e o segundo que nos empobrecera? Não ha lagrimas que suavisem as ferocidades da nossa sina, nem ameaças que a forcem a desmentir-se? Será obrigatorio o punhal ou o veneno, porque estava escripto o meu suicidio!?...

A providencia é a acção da Divindade.