Em cada degrau da sua escala de grandeza espirrava o sangue das faces que calcava. Entre elle, e um circulo de victimas, que o rodearam, fascinadas pelo brilho da sua auréola, erguia-se o anteparo da irreligião.
Quem lhe déra o sorriso feroz fôra a impiedade.
Quem lhe alimentara as ancias de cevar-se em gosos, adubados em lagrimas e sangue, fôra a impiedade.
Quem lhe segredára os derradeiros segredos do crime, para que o enojo de crimes repetidos lhe não esfriasse o amor sordido da vida, fôra a impiedade.
Quem lhe disséra que no tumulo para dentro não ha pobres para repellir, nem corôas de virgem para desfolhar, nem faces lagrimosas para cuspir, nem amigos para vender a inimigos, fôra a impiedade.
IX
E, depois, a mão de Deus despenhou o cynico.
No tremedal, onde caíra, roeram-n'o os vermes dos cadaveres que elle fizera.
E riu-se.
Cobriram-n'o os improperios, e os sarcasmos de tantos, que elle enxovalhára, sacudindo-lhes ás faces a lama das ruas com as rodas do seu carro insultuoso.