«Padre nosso, que estaes no céo, sanctificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade...»
XIV
Alguem procurava o coronel. Amigo ou inimigo? O homem da honra nunca se nega. O que fôra christão antes de politico, e pedira a Deus a paz de seus irmãos, antes de mostrar-lhes, ao sol das batalhas, o lampejo de uma espada escrava da obrigação, esse poude ser exauctorado de titulos ás grandezas, de direito ao trabalho, de pão, e de liberdade, mas o opprobrio não o desanima, nem o envergonha.
A valentia moral não tem capitolios na sociedade immorigerada; mas tem-os na consciencia do proprio que a experimenta. Um homem assim, decaído do que fôra, apresenta-se altivo de certa soberania que parece um triumpho, ultraje dos oppressores.
O coronel, se tivesse a receber as felicitações vendidas á sua patente de general, talvez não consentisse que tão depressa fosse aberta a sua porta.
Abriram-n'a.
O homem que entrára, sem dar o nome, era uma figura que, sem articular palavra, impunha silencio aos que o recebiam. Trajava pobremente.
Quem buscasse um modelo para a estatua da imagem do infortunio, acha'-la-ia n'aquelle homem.
E, sorrindo, offerecia a mão ao coronel, que viera, chamado por sua esposa, a contempla'-lo rodeado dos filhos, que pareciam perguntar-lhe quem era o extranho hospede.
Aquelle silencio, precursor de lagrimas, não podia conter muitos minutos corações anciosos.