A pureza dos anjos, não será como a santidade do predestinado!? E o justo, na ultima hora da sua passagem na terra, quando o anjo da serenidade lhe alveja o rosto com as suas azas transparentes, não será como a creancinha immaculada, cuja alma vem brincar-lhe ao rosto com toda a pureza e innocencia, que o halito creador lhe bafejou!?
A mãe de Maria chorava e as suas lagrimas desconsolavam o pae, que as não queria ver n'aquelle dia, n'aquella hora, tão faustosa, tão de gala para os parentes, que se abraçavam em redor do leito.
Mas fossem calar-lhe o presentimento no coração! Digam á flôr que não penda amortecida sobre a haste, quando o sol se esconde! Digam ás lagrimas, que estanquem nos olhos, quando o que chora não sabe d'onde ellas nascem, nem o que contempla sabe a linguagem do espirito, para consola'-lo em seus presentimentos sobrenaturaes!
Porque é que aquella mãe não buscava o allivio no sorriso de seu marido? Porque não olha ella para os seus? Que é tão consolador ahi como a presença de um marido amado, quando a fraca mulher quer desafogo?
Não bastam allivios do mundo para essas ancias.
Deus! sim, para todas as afflicções, para todos os presagios, para todos os temores, para todas as mães que vaticinam desventuras a suas filhas!
Deus! E na sua imagem é que aquella mãe fitava os olhos. Depois, ao lado de Christo, estava outra imagem: era Nossa Senhora da Conceição. Que lhe dizia aquella pallida mulher, com sua filhinha nos braços? Ouviram-lhe só as derradeiras palavras:
«Minha Mae Santissima! entrego-vos a vossa afilhada!»
Viram um sorriso nos labios de Maria. Seria um acto maquinal dos labios? Porque é que os adultos não sorriem maquinalmente?... Lisongeiras duvidas para o homem que pensa nos segredos do homem.