--Pois que disse ella?--atalhou o coronel.

--Nada, quasi nada... Vendo que eu lhe adivinhava o coração, lançou-se-me ao pescoço, chorando. Disse quanto podia dizer.

--Ama-o, em summa--disse o frade--Não admira; o moço é digno d'ella, e a Providencia quer que se amem...

--E que tem ella que esperar d'esse amor?--interrompeu o coronel.

--Tem que esperar as consequencias de uma affeição approvada por seus paes...

--Se elles a approvarem, meu irmão.

--Pois tu reprovas o amor da tua filha a Alvaro da Silveira?! Eu fico por elle... Quereis melhor fiador? Dou-vos a virtude de Maria. Se a nós não defendermos, defende-se ella.

--Sabes pouco do mundo, meu irmão--redarguiu o coronel.

--Não sei muito, não; mas o que é preciso saber para o nosso caso, sei-o de auctoridade certa, que é o presentimento bom que me dá resolução. O pae de Alvaro diz-me que seu filho quer Maria para sua esposa, e elle pede-a para sua filha. Que respondeis?

--Eu respondo que sim, que lh'a dou com toda a vontade, com todo o coração--disse a mãe de Maria.