Maria ficára como engolfada em profundo pasmo com a mão no seio. O frade saíra.

XXIII

Passada uma hora e um quarto, foi a sobrinha, atemorisada pela falta, que entrou subtilmente no quarto de seu tio. O velho estava de joelhos diante de uma cruz. Sentiu-a entrar, voltou um pouco a face, e disse:

--Espera um bocadinho, menina; eu falo-te já.

Maria ajoelhou ao pé d'elle.

--Pois sim, oremos juntos: disse o padre--se já resolveste, pede comigo ao Senhor que mude a tua tenção, se ella não é do seu agrado.

Decorridos alguns minutos ergueram-se ambos.

--Pensei, meu tio--disse Maria.

--E então?

--Creio que Deus permitte a minha vontade: o tio me dará a certeza da minha fé, se não se oppuzer.