--E hoje, Maria... talvez... tenhas de entrar como creada...
--E isso que tem, meu tio?! Pois nas Carmelitas não entravam tantas senhoras distinctas que faziam a cozinha ás semanas? Que tem que eu seja creada? Alvaro não póde envergonhar-se d'isso; porque ha muitas situações vergonhosas para um marido, mas esta--a de servir--não é uma d'essas... pois não?
Maria córou proferindo algumas d'essas ultimas palavras. Fr. Antonio depois de abraça'-la, disse:
--Eu vou para Lisboa, minha sobrinha. Falarei com a prioreza; veremos como has de entrar; antes, porém d'esse passo, é preciso que escrevas a Alvaro.
--Pedindo-lhe consentimento?
--Sim.
--Se m'o nega?! não vou?
--Vaes, Maria. A petição é a humildade da esposa; mas a fuga é o ultimo direito da victima. Onde ha algoz não ha marido.
XXIV
Era assim a carta de Maria a seu marido: