Quando o governo descobriu n'aquelle anno a celebrada conspiração da rua Formosa, entre os papeis encontrados no subterraneo da officina typographica, estava um com as bazes do projecto revolucionario.
O artigo 3.º dizia: «Assassinar aquelles entre os membros das côrtes e do ministerio que são os mais celebres defensores dos direitos nacionaes.»
O primeiro nome era Venceslau Taveira.[[3]]
O conflicto do congresso parecia ter sido apenas um sonho máo no espirito do deputado, quando entrou no seu escriptorio, onde Julia o esperava assustadissima. Um sorriso de paz lhe deu elle com o beijo da sua extrema ternura, e na firmeza de voz e bom concerto das ideias denotava que os transportes de uma coragem honrosa, depois de o abalarem, lhe repunham a alma descansada no reclinatorio da consciencia.{243}
—Fujamos de Portugal!—disse-lhe Julia vivamente.
—Não fujamos, minha amiga... Jantemos—disse serenamente o marido.
E, durante o jantar, perguntou padre Manoel Ferreira:
—E, se V. S.ª, cego na sua justa ira, matasse o Peixoto ou o Neves...
—Ou ambos...—ajuntou Venceslau.
—Sim, ou ambos... suppomos...