—E tu, fizeste biquinho? choraste?—voltou Julia, rindo.

—Chorei muito, mas foi no meu quarto; porque o papá, vendo que eu não respondia sim nem não, esteve a olhar para mim com os olhos mal encarados, e disse-me: «dar-se-ha caso que a tua cabeça tenha lido alguma leviandade? Anna, vê lá o que fazes e o que tens feito. Com teu pae não ha segredos nem disfarces.» E, depois, disse já muito zangado: «Respondes ou não? Se a tua boa estrella te dér por marido Venceslau, agrada-te este casamento?» Eu que havia de responder, Lulu? Dize lá, tu que respondias?

—Eu sei, filha!.. essas respostas só sabe dal-as quem se vê nos apertos de taes perguntas. Respondeste que sim?

—Fiquei atemorisada... nem soube o que respondia... Respondi que fazia o que o papá quizesse... Elle então deu-me a beijar a mão e sahiu; e eu fui chorar para o meu quarto. D'ahi a pouco, voltou o papá, bateu-me á porta, eu limpei as lagrimas e escondi as cartas de Eduardo que estava a lêr. Disse-me elle então que ia dar ao Venceslau os parabens por ter sahido deputado ás côrtes; e tornou a fazer-me a mesma prégação das virtudes e talento do Taveira, dizendo que elle era deputado aos vinte e oito annos, e seria ministro de estado antes de ter quarenta. Ora que me importa a{101} mim cá isso? não me dirás? Aqui tens, Lulu, quanto eu sou desgraçada! Foi Deus que te trouxe. Tu has de valer-me, has de aconselhar-me, sim?

—Socega—respondeu Julia.—Se o teu casamento com Venceslau depende da vontade do noivo, estás tu bem.

—Sim? conta lá o que sabes!... que sabes tu, Julinha?

—Sei que Venceslau não te ama.

—Não? ai que alegria! quem t'o disse?

—O Eduardo.

—Sim? viste-o hoje?