XIII
Alcacer Kibir

Verdugo, que esmagaste a India aos pés
Eis aqui, Portugal, o que tu fôste!
Repulsivo morphetico d'Aoste...
Eis aqui, Portugal, o que tu és!

Os Gamas, Albuquerques e Sodrés,
Alçando a cruz em sanguinoso poste,
Bradam ser Christo o general da hoste,
Se os povos sangra o ferro portuguez.

Terrivel vae mostrar-se a Providencia,
Arrancando das mãos da prepotencia
A levantina raça acorrentada.

India, escrava gentil, espera um pouco...
Lá vem sobre Marrocos um rei louco...
Eis Alcacer-Kibir! estás vingada.

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XIV
Jorge

Constantemente vejo o filho amado
Na minha escuridão, onde fulgura
A extatica pupila da loucura.
Sinistra luz d'um cerebro queimado.

Nas rugas de seu rosto macerado
Transpira a cruciantissima tortura
Que escurentou na pobre alma tão pura
Talento, aspirações... tudo apagado!

Meu triste filho, passas vagabundo
Por sobre um grande mar calmo, profundo.
Sem bussola, sem norte e sem pharol!