XVI
Thomaz Ribeiro
Ao cantor de D. Jayme era ousadia
Dedicar uns insipidos sonetos,
Bem pallidos, mesquinhos esbocetos
Dos Ridiculos grandes d'hoje em dia.
A ti que illeso passas n'esta orgia,
Modesto, honrado e amado, que amulêtos
Te salvam d'estes pantanos infectos
Em que chafurda a esqualida anarchia?
Tantas vezes Governo!... E não tens pejo
De ser pobre, ó Thomaz ?... Isto que vejo
Me inspira o vaticinio que registro:
Dirão de ti as porvindouras eras:
«Ministro pobre em Portugal! Chimeras!...
«Ou viveu farto, ou nunca foi ministro!»
XVII
Remorso
Eu choro quando, ás vezes, me concentro
A meditar nas horas malogradas,
Noites de inverno, gelidas, passadas
Nos Carnavaes rhetoricos do Centro.
Convidam-me a ser socio. Acceito e entro,
Deixando solitarias, consternadas,
Três Marilias que amei! Estaes vingadas!
Remorsos me excruciam cá por dentro.
Dizia-me um dynastico-esquerdista:
«Prepara-se você para estadista?
«Aspira a ser ministro? A escola é esta.»