Esmurra o peito e jura pela gorja,
Que o Vaticano cai podre de vicios.
Se pede para os reis forcas, supplicios,
Hurrahs sanguineos vocifera a corja.

Este luso Rigault é petrolista;
Na lingua tem navalha de fadista;
De resto, faz pagode e rija pandega.

Está compondo agora outro discurso
Com que espera alcançar, mas sem concurso,
Ser despachado capataz d'Alfandega!

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XXX
Derrocada

Ao passo que vasqueja e expira a luz
Do Templo onde, algum dia, celebraram
O Passos, e o Mousinho e os que arrastaram
Em terra estranha a esmagadora cruz,

Na imprensa, uns pugilistas, braços nus,
Uns contra os outros, rábidos, disparam
Sarcasmos, que ao diabo não lembraram...
Que linguas, sancto nome de Jesus!

O Deus dos seis Affonsos e das Quinas!
Se um vil desabamento nos destinas,
Escuta o meu sincero e ardente voto:

Faz pena este acabar quasi indecente...
Concede-nos morrer mais seriamente:
Transmitte-nos, Senhor, um terramoto.

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