[9] As alterações orthographicas constam do texto, que trasladamos quasi pontualmente.
[10] Seguem-se algumas linhas que a humidade tornou inintelligiveis.
DESASTRE DO SANTO OFFICIO NO PORTO
A inquisição de Portugal, em 1704, confiava tanto na espada flammejante de S. Domingos, que nem as esquadras britannicas lhe incutiam pavor.
N'aquelle anno, morava no Porto uma familia ingleza de appellido Fiuza. Não assevero que assim se escrevesse ou pronunciasse o appellido; mas assim o acho escripto em documento coevo, extrahido de um processo do santo officio. Esta familia era catholica romana.
Havia no Porto outra familia ingleza herege. Appellidava-se Mosheim, que os escreventes do tribunal dominicano escrevem Mossão.
Á familia catholica pertencia uma menina chamada Isabel. Á protestante um moço chamado Thomaz.
Amavam-se os dous contra vontade de seus paes. Eram ambos abastados e bem procedidos; mas tinham de permeio o inferno. Na opinião dos Fiuzas a familia Mosheim estava condemnada ás penas eternas. Os Mosheim, por sua parte, diziam que os Fiuzas eram lenha secca para as fornalhas infinitas.
O pai de Thomaz consentia no casamento, se Isabel apostatasse do catholicismo. O pai de Isabel cedia ás supplicas da filha, se Thomaz se convertesse á verdadeira e unica religião.