DESGRAÇADO BALZAC!
(Á ACTUALIDADE)
Tantas vezes o noticiarista repete que eu sou assignante do seu papel, que parece estar-me convidando a declarar a razão por que assignei.
Eu lh'a digo ao noticiarista. Foi para me regalar com as inepcias do folhetinista.
Quer-me parecer que os dous são um e mesmissimo tolo (com licença: não diga que sou incivil).
Se os dous não são homogeneos, então tenho centauro pela frente. Em cima, no noticiario, está a porção humana do aborto; em baixo, no folhetim, está (com a devida cortezia) a porção bestial do mesmo centauro.
Mas ha lanços em que o centauro se cabriola de feitio que a metade debaixo esperneia em cima; e a gente, a meia volta, não sabe já onde está o homem, nem onde está (com a divida venia) a bêsta.
O noticiarista, que me dizem chamar-se Silva Pinto, consinta que eu, por conveniencias da composição e da variedade da fórma, lhe não chame sempre centauro e tolo. Obriga-me a pedir-lhe licença todas as vezes em obsequio á urbanidade. O melhor é chamar-lhe, como variante, Silva Pinto.
O snr. Silva Pinto começou no n.º 16 da Actualidade a traduzir romances de Balzac.