Sem impedimento d'estes e d'outros anteriores e ulteriores furunculos de aposthema intellectual, proponho á academia real das sciencias este snr. Silva... para varredor.


SANTOS-SILVA

Bravo! almas generosas do meu brioso Portugal que amparastes a viuva e os sete orphãos do egregio orador!

Bravo! corações que avaliastes o talento do pai e o infortunio dos filhos!

Formoso rastilho de luz foi esse que vos guiou desde a sepultura de Santos-Silva até ao recinto em que uma viuva, entre a saudade e a pobreza, ampliava o regaço para aconchegar do seio aquelles sete rostos banhados das ultimas lagrimas de seu pai.

Entrou, a um tempo, n'aquelle lugar de angustias, a mortalha e o manto da misericordia. Sahia um cadaver, e entrava o anjo da caridade.

João Antonio de Santos-Silva levava espelhadas na retina morta as oito imagens queridas; e a Providencia rodeava de amigos aquelle sagrado grupo de crianças que punham as mãos—expressão unica das agonias inexprimiveis.

A fatalidade da morte justificava, não menoscabava os designios do Altissimo.

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