Que tem testemunhos de sympathia publicamente formulados, etc.;
Que o disparate só um leitor assiduo, etc., ousaria formulal-o, etc.
Formúla tudo. Este abuso da fórma denuncía costella de sapateiro. Quem te reformulára os aleijões a tirapé, Pinto! Pinto falso!
Diz que não me ameaçára na minha vida privada. (O privada é elle e d'elle. Eu escrevi vida particular. Não lhe quero maior castigo que a vergonha ante si mesmo de substituir cavillosamente palavras para amanhar um gracejo sujo). Não ameaçou?! Annunciou na Actualidade um livro escripto por um collaborador, e prometteu dar extractos na folha. Que queria dizer isso?
Diz que não escrevêra a local da trilogia, nem a outra ácerca do Castellar, nem a da cacophonia.
Então havia outro sandeu de igual marca no jornal? Que parelha de asneirões! Pelos modos aquelle escriptorio de redacção era uma estrebaria! Se os dous coexistem, são os meninos-siamezes da estupidez; mas o outro desconfio que é elle.
Falla de uns meus contractos litterarios com o snr. Anselmo de Moraes.
Ahi vai, com nojo e brevidade, a historia d'estes contractos já babujada pelo dos Musicos, e não sei por quantos da quadrilha.
Este Anselmo de Moraes procurou-me, ha seis annos, para me propôr a redacção de um periodico semanal, que se chamou a Gazeta litteraria. Aceitei. O contracto estabelecido foi que elle me pagaria a redacção por columna; e, imprimindo em livro os artigos do periodico, me compraria, á parte, a propriedade do livro. Pagou-me oito numeros, e deixou de me pagar os restantes. Neguei-me a escrever o n.º 17, quando a divida montava a 70$000 reis, e eu já tinha pago de minha algibeira a um collaborador, o talentoso Delfim Maria de Almeida. O periodico terminou.
Não lhe pedi o estipendio do meu trabalho, porque seria baldado pedir-lh'o, como havia acontecido ao estimado escriptor lisbonense Andrade Ferreira. Esperava eu, todavia, resarcir-me com a propriedade dos meus escriptos, publicando-os em livro; mas o snr. Anselmo de Moraes, esbulhando-me d'este recurso, editorou os artigos em volume, e os pôz á venda com o titulo de Mosaico e silva de curiosidades historicas, litterarias e biographicas, precedidos de um prefacio, attribuido ao snr. Theophilo Braga, onde se diz, pouco mais ou menos, que o author dos taes escriptos, sentindo a imaginação fatigada para o romance, se soccorre d'aquelle genero. Era, ao mesmo tempo, espoliação e descredito.