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Meu amigo, faz-me o favor de pedir novamente perdão á opinião publica? Vá-se habituando a pedir perdão todos os mezes.
Sou, etc.
[NIL ADMIRAM]
O snr. G. escreve um folhetim no n.º 154 do Primeiro de Janeiro. Louva as qualidades litterarias do snr. Pedro de Amorim Vianna, manifestadas na traducção das Memorias de Lafarge, e no Estudo correspondente. Observa que a celebre envenenadora grangeou sympathias nos salões da França, e attribue o phenomeno á corrupção da moral.
Depois, derivando aos costumes contemporaneos, escreve:
«Troppmann que em nossos dias póde ser considerado um dos maiores criminosos, chegaria a causar fanatismo, se se lembrasse de percorrer a propria França, theatro das suas tristes façanhas, e não faltaria quem se désse pressa em procurar estender-lhe a mão com intima effusão de contentamento.»
Sentir semelhante dislate, mas não o escrever, revelaria, quando menos, um eclipse de razão; mas divulgal-o, atiral-o ao rosto da sociedade, é um insulto. Que conceito fórma da moralidade da França o snr. G.! Troppmann, o assassino de algumas crianças que a justiça levanta de ao pé de sua mãi cortada de golpes, percorrendo a França, causaria fanatismo; e não faltaria quem se désse pressa em procurar estender-lhe a mão com intima effusão de contentamento!
Que dirá o seculo XXII, quando lêr isto! Dir-se-ha que o seculo de Jayme José Ribeiro, de Belem, era um periodo de selvagismo, e que o snr. G., á imitação de Boecio nas trevas da meia-idade, protestára contra os vicios do tempo, e affirmára honradamente a sua repugnancia em apertar a mão de Troppmann, com intima effusão de contentamento.