—Não gosto d'essas coisas… Estou nervosa… O Alvaro ia pallido e tremulo… Vejam lá se fazem algum desaguizado por causa d'uma graça… Vamos embora, mamã! Estou muito nervosa… veja…

E offerecia o pulso ao abbade.

—Tem febre?—perguntou a mãe alvoraçada ao abbade.

—Está agitadinha,—confirmou o abbade, envesgando para nós os olhos zarolhos de velhacaria—Quer palpar, sr. João Pacheco?

—Não percebo de pulso—disse o convidado.

—Com licença…—interveio José de Almeida—Eu vejo—E, tateando o pulso de Irene com o relogio aberto, disse:—Cem pulsações por minuto. Isto não é febre… é amor, minha senhora…

—Boa!—disse a menina retirando a mão—o sr. Almeida tem lembranças! O amor sente-se no coração, não é no pulso.

—O pulso é o denunciante do coração—retrucou o portuense.—O amor é o sangue mais apressado.

—Faltava-me ouvir essa!—notou D. Helena jubilosa por ver que a menina já sorria.

—Em boa sciencia é aquillo que diz o sr. Almeida—confirmou o abbade—Effectivamente, o amor accelera a circulação do sangue.