—Vossê não vá afflicto—dizia-lhe o Meirinho—por que hade ter o seu quinhão com que pode viver regaladamente. O necessario não se lhe tira; nós o que queremos é o que lhe sobeja. Somos honrados ou não, seu velhote?

E dava-lhe palmadas nos hombros.

—Sim, senhor—dizia o Bento, e recolhia-se a scismar na situação perigosa em que se via, e no modo de a esconjurar.

—Ande depressinha—tornava o chefe empurrando-o brandamente.

—Será bom ajudal-o com alguns pontapés—alvitrava outro, receando que a manhã lhes viesse tolher a empreza.

Chegados ao cabeço da serra, espigado de rochas, disse o Meirinho:

—Cá estamos. Onde é a fraga?

—Não enxergo bem… Só quando fôr dia é que eu conheço o sitio—respondeu Bento.

—Temol-as arranjadas…—tornou o Meirinho com um sorriso agoureiro de más coisas.—Ó Freiamunde, petisca lume, e faze ahi um archote de codêços para este tio ver onde está o arame.

—Parece-me que o melhor seria alumial-o com a luz da polvora…—observou Freiamunde, bebendo alguns tragos de aguardente de uma cabaça que trazia a tiracollo.—Quer lá, capitão? Se lhe parece, dou dois goles ao velho como se faz aos perús…