O mais pimpão, Manoel Fialho, cahira atravessado por um pelouro do peito ás costas. Acudiram a levantal-o do chão lamacento alguns dos seus sequases.

—Quero confessar-me!—rouquejava elle.—Levem-me onde esteja um padre!… depressa que morro!

Olharam em redor, e viram um sacerdote que, de mãos postas, sem receio das balas que lhe sibilavam perto, pedia ao povo que se retirasse.

—Além está o sr. abbade de Santa Eulalia!—exclamou um dos amparadores do agonisante.

Outro correu a dar lhe parte de que estava alli um feitor do fidalgo de
Refojos mortalmente ferido que se queria confessar.

—Trazei-m'o depressa, eu o espero n'esta primeira casa…—disse o abbade.

O moribundo, nos braços de dois homens, entrou para um quarto onde o esperava o confessor. A confissão e a vida duraram-lhe dez minutos.

* * * * *

Alvaro de Abreu, quando, ao fim da tarde, lhe disseram que Manuel Fialho, antes de expirar, pedira um confessor, e morrera nos braços do abbade de Santa Eulalia, accusou nas alterações de côr e fixidez dos olhos alvoroço afflictivo.

Os dois filhinhos, conduzidos pela dispenseira, iam beijar a mão do pae para se deitarem. Alvaro quedou-se entre elles, prostrado em uma cadeira, abstrahido, emquanto as creanças lhe contavam a batalha da feira, imitando a troada dos tiros com a bocca, e a estrategia com umas manobras infantilmente graciosas. A dispenseira, cuidando que o pae se entretinha com os pequenos, retirou-se admirada. Era raro deter-se Alvaro cinco minutos com os filhos; e, quando elles se demoravam, afastava-os desabridamente.