—Aqui estou…—soluçou Irene.

—Quer vêr seus filhos?

—Sim…

—Vou mandal-os buscar. Cuidei d'elles, porque sua cunhada não podia soffrêl-os; e as creancinhas amavam-me… É preciso, minha senhora, salvar o que poder d'esta casa por amor d'estes meninos. Com ordem e economia, se Deus me der vida, tudo se fará.

Irene apressava o inventario, resgatava as vendas illicitas, annullava hypothecas, afanava-se em liquidar o que devia pertencer-lhe na meação do casal e dos rendimentos absorvidos na totalidade pelo marido.

Observara-lhe o abbade que um tamanho apuro de contas iria, sem ella querer, cercear o patrimonio dos filhos.

—Se V. Ex.^a—accrescentava elle—tenciona reduzir as suas despezas ao viver aldeão, sobra-lhe tanto do que percebe da sua metade que talvez possa deixar intactos os rendimentos dos orfãos.

—Tenciono ir viver no Porto…—explicou ella.

—Ah!—exclamou o abbade—com que então, minha senhora… ainda não?

Ainda não?… o quê?