—Tanto faz—replicou Silvestre.—Estava a dizer missa, e cahiu redondo no altar.

—É de crer que a sua alma estivesse preparada para esse trance—observou o commendador em tom compungido.

—Era bom padre—disse o abbade, talhando á faca os canudos flexuosos da sôpa de macarrão—isso era, coitado! Deus o tenha á sua vista!…

—Está aqui toda a sua familia, sr. Silvestre?—perguntou o hospede,—Se bem me recordo, disse-me na feira de Villa Nova que tinha filhos…

—Filhos, não, meu senhor. Tenho duas filhas.

—Trez…—emendou o abbade.

—Duas!—retorquiu desabridamente o lavrador coruscando-lhe os olhos irados.

—Ah! sim… duas… eu agora estava distrahido…—remediou o indiscreto.

E o commendador não perdia a minima expressão das quatro physionomias.

—Tenho duas filhas,—repetiu o pai de Maria.—Uma está casada fóra com um proprietario, já tem um filho em Braga para padre, e outro a doutorar-se em Coimbra. A outra está em casa. Não quiz cazar, e já está a caminhar para os trinte e sete annos. É a que governa a caza.