—É figurão!—disse elle—Eu vi aquelle homem em Braga com o sr. deão e entraram no paço do sr. arcebispo. Alli abaixo na bouça estão dois cavallos, e um creado de libré. Hão de ser d'elle…
—Queres tu ver que é um commendador que esteve em caza de teu avô faz hoje oito dias? Tua tia viu-o, e disse-me que elle era assim de bigode e suissas…
—Que estará elle a fazer aqui?
—Elle olha para nós?! perguntou a mãe olhando-o de travez por entre a fresta formada pelo capote em que se encapuzava.
—Não tira os olhos da gente… e parece que está assim a modo de quem quer perder os sentidos!
—Estará doente!… Ainda bem que ahi está o sr. abbade…
—E lá vai fallar com elle, minha mãe…
—Então é o mesmo que eu te dizia.
—Belchior!—chamou o abbade—pega lá a chave, e entrem que eu já vou.
O moço foi buscar a chave, beijou a mão ao padre, e abaixou a cabeça ao senhor desconhecido. O commendador, com os olhos cravados n'elle, movia-se n'um balanceado arfar de peito: era o esforço que punha em resistir aos impetos que o impulsionavam para o filho. O carpinteiro abriu a porta e entrou com a mãe na igreja, dizendo-lhe: