FIM

III

O CEGO DE LANDIM

Ao Visconde de Ouguella

Sejamos amigos como foram nossos pais, e deixemos a nossos filhos o exemplo que recebemos

O CEGO DE LANDIM

I

Foi ha treze annos, em uma tarde calmosa de agosto, neste mesmo escriptorio, e n'aquelle canapé, que o cego de Landim esteve sentado. São inolvidaveis as feições do homem. Tinha cincoenta e cinco annos, rijos como raros homens de vida contrariada se gabam aos quarenta. Resumbrava-lhe no semblante anafado a paz e a saude da consciencia. Tinha as espaduas largas: cabia-lhe muito ar no peito; coração e pulmões aviventavam-se na amplidão da pleura elastica. Envidraçava as pupilas alvacentas com vidros esfumados, postos em grandes aros de ouro. Trajava de preto, a sobrecasaca abotoada, a calça justa, e a bota lustrosa; apertava na mão esquerda as luvas amarrotadas e apoiava a direita no castão de prata de uma bengala.

Eu não o conhecia quando me deram um bilhete de visita com este nome—ANTONIO JOSÉ PINTO MONTEIRO.

Em S. Miguel de Seide, uma visita, que se fizesse preceder do seu cartão, era a primeira.