—Tomára ella!—acudiu a irmã—Está sempre a dizer: «Isto de mulher sem homem é como peixe fóra de agua.» Põe papelotes todas as noites, e faz caracoes quando se ergue. Que quer isto dizer? Queres que eu lhe toque no casamento comtigo?
—Toca; que eu começo hoje a fazer-lhe a côrte.
Na tarde d'esse dia, passeava Monteiro, debaixo da parreira do seu quintal, pelo braço da viuva. As calhandras e os pintasilgos trilavam os seus requebros ás margens do rio Pele. As rãs coaxavam nas pôças, e as auras ciciavam na ramaria dos álamos. Era uma tarde de tirar amores do olho de uma couve lombarda.
Passeavam silenciosos, quando ao longe, no pinhal do mosteiro, cantou um cuco.
—Olhe o cuquinho a cantar!—disse ella com meiguice.
—Gosta de ouvir o cuco, sr.^a D. Tecla?—perguntou o cego.
—Eu gosto de toda a passarinhada—respondeu ella com as denguices infantis da Lili de Goethe.
—O cuco é passaro de máo agoiro!—tornou elle—Eu, com medo de tal ave, não quiz casar.
Tecla riu-se descompassadamente, provando que conhecia a línguagem symbolica da ave agoureira. E o cego, n'esta entreaberta de galhofa, beliscou-lhe a polpa do braço esquerdo.
—Ai!—exclamou ella—Isto que foi?!