A condessa encarou n’elle com penetrantes olhos, e disse:

—Lastima-me, não é verdade?

—Minha senhora—balbuciou Casimiro—peço perdão... não quiz dizer que lastimava v. ex.ª... Quaesquer que tenham sido suas magoas, a sua elevada posição não consente que eu me condôa...

—Está bom, está bom—atalhou Ruy—não se falla aqui em magoas, nem dó, nem lastimas! Este meu Casimiro tem uma propensão para discursos tristes, que nunca vi!... Olha que hontem á noute, mana, o que elle disse á beira da sepultura do Guilherme, ia arrancar ao fundo do coração as lagrimas de quem nunca tivesse chorado!

—É porque eu dava o exemplo, chorando, sr.ª condessa—ajuntou Casimiro.

—E deve ter chorado muito!—disse ella.

—Pouco, minha senhora. Sou um homem muito resignado, ou muito forte. A mim as grandes angustias levemente me abalam. Algumas vezes tenho chorado por cousas insignificantes. Posso ver a olhos enxutos morrer minha filha, e não poderei ouvir sem lagrimas o piar de uma ave, a quem mataram os filhos no ninho. Isto será deformidade de organisação; mas dureza de alma não é, minha senhora... Meditando na minha indole, vim a considerar que para mim o incentivo das lagrimas é uma certa poesia funebre e maviosa, sensação que eu não sei d’outro modo definir; ao passo que as desditas positivas, cerradas e suffocantes regelam-me a alma.

—Elle ahi está a fugir para a tristeza!—interrompeu o fidalgo.

—Deixa-o fallar, mano...—pediu a condessa.