—Dá-me licença que os veja?
—Por que não, sr.ª condessa? Aqui está a velha carteira de meu pai...
A condessa tomou da mão de Casimiro, com sofrega ancia, a carteira, que folheou.
—Onde é?—disse ella convulsiva.
—Aqui, minha senhora—respondeu Casimiro indicando-lhe a pagina, que a condessa leu:
Meu filho Casimiro nasceu em 15 de janeiro de 1816. Foi baptisado em S. Domingos de Santarem aos 22 do mesmo mez. Foi creado no Cartaxo d’onde sahiu em 1820...
A condessa murmurava ainda; mas não lia o restante da nota. Fechou a carteira, e voltou-a nas mãos, remirando-a. Depois, pregou os olhos no rosto de Casimiro, e permaneceu n’este spasmo alguns minutos, até que muito do fundo do seio lhe sahiu um grito estridente, e uma explosão de lagrimas em que a luz da vista parecia innevoar-se.
—V. ex.ª soffre!...—disse Casimiro.
E acercaram-se todos da condessa, que, tomando a mão de Bettancourt, ergueu-se de impeto e disse-lhe: