Aqui está, muito á flor da terra, a moralidade da historia, em que tentamos esboçar uma face do bem e outra do mal d’esta vida, tão infamada por uns como glorificada por outros.
Senhor dos mundos! vós, quando creastes a brasa da sêde que requeima os labios do caminheiro do nosso deserto, mandastes ás areias que se desentranhassem em fontes! As fontes correm. E o impio sequioso bebe, consola-se e... injuria-vos.
FIM
NOTAS
[1] Antonio de Oliveira Soares, que de capitão de cavallos e costumes perdidos, passou a frade arrabido e vida muito penitente.
[2] O leitor provavelmente não encontra no seu «Diccionario» o termo reco. O povo de Traz-os-montes, e de porção da Beira-Alta dá aquelle nome, cuja etimologia ignoro, aos cevados. Eu leio muito pelo diccionario inedito do povo d’aquellas provincias, que sabe a lingua portugueza como fr. Luiz de Sousa.
[3] Nas aldeias do norte d’esta nossa terra tão pittoresca de linguagem, algumas vezes perguntava eu quantos annos tinha tal velhinho, e não entendia esta resposta: «já passa de dous carros» Vim depois a saber que lá se contam os annos a quarenta por cada carro, por analogia com o carro de pão de quarenta alqueires.
[4] Aut Deus, aut bestia.
[5] A «Sociedade da manta» era uma congregação de mancebos destemidos que tiveram Coimbra atterrada, e reagiam ao exercito, quando não achavam futricas que escadeirar.