Peregrina, que os seguia com alguma distancia, como ouvisse aquella pergunta, insensivelmente estugou o passo para ouvir a resposta.
Ladislau respondeu:
—Ainda não.
E, como voltasse o rosto ao padre no acto de responder, e visse os olhos de Peregrina, fitos em si, e expressivos de anciedade intima, Ladislau recebeu dentro da alma uns tamanhos abalos de alegria que não pôde nunca mais topar delicias comparaveis ás d’aquelle momento.
Entraram no quinteiro da casa de Villa Cova.
Á porta da córte dos cevados estava uma mulher octogenaria, com uma varinha na mão, acommodando os recos, que brigavam em redor da pia.[2] Esta mulher que tinha setenta annos de serviço em casa dos Militões, quando o amo, Peregrina e o vigario entraram no quinteiro, deixou cahir da mão trémula a varinha, e benzeu-se murmurando: «em nome da Santissima Trindade, Padre, Filho e Espirito!»
—Amen, disse padre João.
—Que tem vm.ᶜᵉ, tia Brazia?!—perguntou Ladislau.
—Ainda não estou em mim!—respondeu a velha Brazia, caminhando para o grupo, e formando com as mãos um sobreceu aos olhos para poder enxergar os recem-chegados; e proseguiu:—Cousa assim! Pois não me havia de parecer agora que via entrar por essas portas dentro... credo!...
—Quem lhe parecemos nós?—tornou Ladislau.