—Quanto déste pela parelha?—perguntou Victor, como se a pergunta fosse feita a um pavão, que berrava no arvorêdo dos Palhas.
—Cincoenta libras—respondeu o mulato, muito mais delicado que o seu interlocutor.
—Não foi cara.
—Todo o trem do conde se vendeu ao desbarato. Contou-me um criado d'elle, meu patricio,{228} quero dizer, tambem mulato, que a condessa fôra de Lisboa doida, por causa do tal folheto, publicado pelo larapio que a roubou. Veja V. Ex.ª que patife aquelle! O mulato é levadinho de dez milhoens de diabos, e disse-me que não se vae embora de Portugal sem cortar a cabeça ao tal Victor Hugo!
—Quem, o preto?—perguntou sorrindo o commendador.
—Sim, o preto...
—Ha de ser um que dava sôcos nos namoros da luveira...
—Hade ser esse, provavelmente...
—Pois, se o vires, dize-lhe que o tal Victor Hugo só deixa cortar o pescoço depois que mette seis balas na cabeça de quem lh'o quer cortar.
—Então o homem pelos modos é têzo?