Que sente agora?{202}
Visconde
Ancia de repouso, e a nuvem da eternidade a toldar-me os olhos. Eis que chega a noite da morte. (Fitando Eugenia) Como está desfeita a sua formosura, Eugenia! Onde as lagrimas chegam, começa a morte a sua obra de destruição... Comprehendo bem a sua piedade, menina. Como não conheceu mãe nem pae, o grande amor filial que tinha no seu coração, deu-o ao pae do seu Rodrigo. Deus lh'o recompense no amor de meu neto... Cheguem para aqui o berço. Quero vêr o meu Álvaro... (Approxima Eugenia o berço) Adeus. Adeus. Tu entras, e eu vou sahir. Guardai-o, filhos. Conta-lhe tu, Rodrigo, a minha vida e morte... Eu queria beijal-o. (A Eugenia que faz menção de o tirar do berço) Não, não. Deixal-o dormir... Que serenidade! Tambem eu hei de têl-a. Para os grandes desgraçados o sepulchro é suave e socegado como o berço das creanças. Eugenia, venha aqui... Não chore d'esse modo, filha! Lamente-me, se eu viver.{203}
D. Eugenia
Eu não choro... o pae ha de restabelecer-se. (Rodrigo gesticula a Eugenia para que ella se esconda de modo que o pae a não veja).
Rodrigo
Meu pae. (Espera instantes que o pae levante a cabeça).
Visconde
Eugenia?