Viscondessa

Eu amo infinitamente as camelias. As senhoras do Porto mereceram da providencia dos jardins muito mais amor que as de Lisboa. Sahem.(O visconde senta-se alquebrado).{79}

SCENA XV

O VISCONDE E DEPOIS JOÃO

Visconde

Ha muito quem ainda sinta o coração desopprimido sob o pezo da consciencia, disse ella. Bem sei, bem sei onde apontavas a frecha... Estas allusões moraes e penetrantes resaltam ás vezes das consciencias mais diluidas. Receio que esta mulher conte a Eugenia o meu passado...

João (entrando com o «Commercio do Porto»; e, como não vê o visconde, que o espaldar da poltrona encobre, olha em redor)

Não enxergo ninguem. (Começa a lêr, e vae sentar-se n'outra poltrona, que tem as costas voltadas para a do visconde) Deixa-me vêr se ainda leio por cima. Acho que é inglez, isto. Será? Não me parece. Quem sabe lêr n'estes coisos é cá o meu primo Joaquim que já foi entregador{80} ou redactor ou não sei quê d'uma trapalhada d'estas. (Lendo no alto da primeira pagina) Po, lí, po, lí tí, ca, in, ter, na. Politega eterna. Isto acho que é a respeito da religião, ou lá da eternidade do outro mundo. Vamos vêr o que diz dos governos: (Lendo na quarta pagina) Rolhas e palitos, rua da Ferraria, 46. (Soletrando) Não é aqui. Ha-de ser mais abaixo, (lendo) Linguas de bacalhau, em Cima do Muro. Linguas de bacalhau! Isto é chalaça aos deputados... (O visconde tosse. João levanta-se atrapalhado, deixa o jornal sobre a cadeira, e sáe da sala derreando-se para não ser visto. Ao mesmo tempo vem entrando D. Eugenia por outra porta).

SCENA XVI

VISCONDE E D. EUGENIA