Ao alvorecer toda risos a manhã do outro dia, Beatriz saiu fóra da barreira, que lhe ficava á porta, entrou na carruagem de Raphael; e elles ahi vão á competencia com o jubilo dos passarinhos, estrada fóra.

Chegaram a Cintra. Parou a carruagem á porta do Victor. Raphael apeiou-se, foi dentro procurar um quarto alegre e espaçoso com vistas sobre os arvoredos das quintas subjacentes.

Dizia um criado que os quartos principaes estavam tomados; e apenas dispunha de um sem janella, mas limpo como todos.

Objectou o morgado que vinha com elle uma senhora, e em tal caso iria buscar hospedagem n’outra parte.

N’isto, abriu-se uma porta de um quarto proximo, e saiu á sala de entrada Nicoláo de Mesquita.

—Por aqui, primo Garção?!—disse o de Vidago sem sombra de mal-querença.

O choque perturbou o sangue frio de Raphael por momentos. Fez-se logo, porém, a reacção dos imperterritos espiritos.

—É verdade, primo Mesquita!... Vossa excellencia aqui!... Eu julgava-o ha muito em Palmeira. Cinco mezes em Lisboa!

—Aqui estou embaraçado por coisas da politica. Afinal caí n’este lodaçal commum. E vossê d’onde vem?

—De Pariz. Cheguei hontem á tarde. Venho vêr Cintra e vou breve para a provincia.