—Cuidado com as perfidias d’essa dama, primo! Eu antes me quero com as devassidões das outras.

—É por que vossê não tem amor patrio, e está na sua época de desperdiçar as forças do espirito.

—Diz bem, meu amigo, e, se me dá licença, vou dormir um pouco para recuperal-as. Apparece?

—Não sei se poderei: espero aqui uns politicos que vem de Lisboa.

—Pois então divirtam-se: e até á vista, primo Nicoláo.

Beatriz não quizera apeiar, sem entender a estranheza d’aquelle encontro. Sentia uns angustiosos apertões de medo, que os criados não compreendiam.

Raphael entrou na carruagem, e disse:

—Já para Lisboa!

E contou o simples caso da apparição de Nicoláo. Beatriz aquietou-se, e riu, quando o primo lhe contava o comico dialogo com o marido. Mas o susto sobreveiu, quando Raphael conjecturou que Margarida, áquella hora, poderia revelar coisas que os perdessem.

No entanto, Margarida Froment, que despertára no momento em que Nicoláo entrava no quarto, perguntou-lhe: