Nicoláo ergueu-se, e foi pelo braço do cavalheiro a um quarto, onde Beatriz se refugiara com uma das senhoras.
Estava ella com a pallida fronte apoiada na palma da mão, e os olhos no regaço, sobre a mão da sua amiga, que a confortava.
Nicoláo acercou-se d’ella, tocou-lhe na face, e disse commovido:
—Então, filha!... perdoas-me?
—Não quero saber o que hei de perdoar-lhe, respondeu Beatriz com severidade.
—Perdoa, perdoa—disse uma senhora Camara, que não averiguamos se era casada—perdoa, porque as desconfianças são a prova do amor.
Eram seis horas da tarde. Ia o jantar para a meza. Nicoláo pediu desculpa de não poder assistir. Foi para Lisboa, e ficou de mandar á noite a carruagem buscar sua mulher.
Entrou de boa cara no hotel de Italia, e disse a Margarida.
—Sou um asneirão! Beatriz estava desde as seis horas e meia da manhã em casa das primas Camaras! Pobre mulher!
—E pobres homens...—ajuntou Margarida com um sorriso perverso—pobres homens os ciosos como tu!...