—Que queres? A amizade do meu pae é extremosa até á importunação! Eu não devia dizer isto; mas olha, primo, já me impacientam tantos cuidados comigo! Em solteira, deixava-me mais liberdade!...
—É que teu pae adora-te, Beatriz!
—Bem sei; mas os excessos de ternura incommodam. Tenho marido e filho para amar e presar: não posso attender ás extremosas pieguices de meu pae. Agora ha de elle cuidar que eu vou enfastiar-me na aldeia, e começa ahi com os seus discursos a demover-te de irmos.
—Seria escusado, que nós iremos, prima.
—Pois então, Nicoláosinho, se elle nos contrariar não o contradigas, para o pouparmos a maior magua. Vamos preparando a partida de nosso vagar, e evitemos questões.
—Pensa bem, Beatriz... Teu pae tem singularidades estranhas, que destoam do meu genio...
—Muitas!...
—Este odio entranhado, que elle tem ao primo Raphael, é absurdo!
—De certo.
—Sei que o pobre moço está em Fayões, e não voltou a nossa casa. Precisamente o rapaz foi magoado da rudeza com que teu pae o tratou á ceia, na ultima noite.