—É o Senhor que as chama... Deixal-as, deixal-as ir para o côro das virgens.

E, rodeado de muitos e piedosos livros, escrevia a Lusiada sacra, a origem ecclesiastica do imperio lusitano, e levava mão do trabalho para assistir aos seus doentes, que curava ou enviava a melhores mundos gratuitamente.

Os moços Agostinho e Pedro lá estavam estudando latinidade no convento de Santo Antonio. Ao principio perguntavam por sua mãe, por seu pae e por suas irmãs. Um doutissimo frade, lente jubilado, respondia-lhes:

—O melhor pae é Deus, a melhor mãe é Nossa Senhora, as melhores irmãs são as tres pessoas da Santissima Trindade.

Sã theologia; mas os mocinhos queriam saber de sua mãe, de seu pae e de suas irmãs.

Deram em não estudar, de tristes que viviam. Foram accusados ao padre Braz, que entrou a admoestal-os no convento. Os meninos abraçaram-se n'elle, e pareciam contentes.

—E nossa mãe? perguntava Agostinho.

—E nossas irmãsinhas? perguntava Pedro.

E Braz Luiz baixava os olhos sobre o seio, permanecia n'um recolhimento angustiado, e saía com estas palavras:

—É verdade!... e vossa mãe!... e as vossas irmãsinhas?