—Saude, meu amigo, appareça á noite, que lhe quero{37} dar o conhecimento d'este meu amigo, que será provavelmente o marido de minha filha...
«Sim?... estimo muito conhecer... Ás suas ordens, meus senhores.
Saíu; e o snr. João José Dias (que é o tal), franzindo a testa, disse ao pae da esposa promettida:
—Que diabo de cousa é isto? Cuidei que me picava o bom do homem com os galhos do bigode! Eu corto as orelhas ambas e duas, se aquillo não fôr um patarata!
«É um pobre diabo que lê novellas, e não é mau rapaz—respondeu o snr. Melchior, limpando o suor da testa.
—Novellas!... hum!—este hum do snr. João José Dias é uma cousa semelhante a um grunhido roufenho; aquelle hum é a these de uma dissertação que elle, em tempo opportuno, ha de fazer contra a leitura immoral dos romances—A sua filha lê novellas, snr. Melchior?—continuou elle pondo os olhos de esguelha, como molosso desconfiado.
«Entretem-se com a mãe, ás vezes, n'essa leitura; mas lê sómente as que a mãe já tem lido.
—Pois não faz bem. As novellas são a perdição das mulheres. Lá no Rio está aquillo mal de religião e virtude desde que pegaram a ler romances as moças. Em minha casa é sujidade que não entra. Eu já uma vez, para ver o que era aquillo, puz-me a lêr uma novella, chamada... chamada... era de um tal... d'um tal Kocles, ou Koques, e, meu amiguinho, era maroteira de ferver bicho.{38}
A snr.ª D. Angelica interrompeu a parlenda acrimoniosa de João José contra os romances.
«Aqui t'o apresento—disse Melchior.