Entretanto, João José Dias entrou na sala onde se dançava, e viu na porta fronteira Ricardo de Sá encostado, com a luneta em acção, e o cotovello direito apoiado na mão esquerda.{67}

Foi ao pé d'elle e disse-lhe:

—O senhor sabe quem eu sou?

—Creio que já o vi em alguma parte.

—Faz favor de vir aqui que lhe quero fallar.

Ricardo seguiu-o machinalmente, atravessou um corredor, e parou n'um patamar deserto:

—Eu sou o marido d'aquella senhora que vocemecê insultou lá dentro.

—Essa é muito boa! Eu não insultei senhora alguma!

—Se insultou ou não, sei eu. Fique-lhe de aviso que a sr.ª Ludovina tem um marido de quarenta e tantos annos, isso é verdade, mas capaz de pegar n'uma orelha dos pandilhas como vocemecê, e dar-lhe com a cabeça n'uma esquina, tem percebido?

O commendador desceu as escadas, e Ricardo de Sá, estupefacto e aturdido, atravessou o corredor, e entrou nas salas.