«E não viram mais ninguem?
—Parece-me que vi ahi n'essa grade uma figura de mulher, com lenço branco na cabeça.
«Obrigado, camaradas, muito obrigado, e boas noites.
O barão arremessou as portadas, e, levando as mãos á cabeça, atirou-se com brutal frenesi a um banco de pedra. Ao tempo que cáe em cheio, vê ao pé de si um objecto escuro. Apalpa, repara, examina: era o projectil{89} fatal do charuto que Francisco Ennes, na vespera, arrojára para dentro.
O barão contempla o charuto na mão convulsa, e desentranha um rugido fremente, apertando-a, rábido e sanhudo.
—Eis a prova da minha deshonra!—exclama, e ergue-se vacillante e cambaio. Entra em casa, e vê correr um vulto de mulher através de um passadiço. Corre impetuoso, e já o não alcança. Tresvariando, grita que ha ladroes em casa. Affluem os creados, buscam e rebuscam todos os cantos inutilmente. Ludovina e sua mãe acodem espavoridas, e encontram o barão, debatendo-se nos braços de dois creados, com um ataque de nervos. Ministram-lhe soccorros, conduzem-n'o á cama, querem vêr o que elle fecha na mão direita, e podem apenas lobrigar a ponta queimada de um charuto. Ludovina inquire com meiguice e pena o que é aquillo, e o desgraçado, maior e mais eloquente na sua angustia, responde:
«É a nossa morte!
Instam na explicação das respostas, e elle troveja:
—Não quero aqui ninguem!
Pasmam; e retiram-se, atemorisados.