—É claro.

—A procissão, ao recolher da Sé, vem aqui ter da rua dos Torneiros. Quando aqui passar, temos o rei pela frente; e, quando entrar na Fancaria, têmol-o de costas, não é assim?

—É.

—N'esta casa, que olha para a Tornearia, abrimos uma seteira; e aqui, no angulo que fronteia com a Fancaria, abrimos duas, uma no primeiro sobrado, e outra no segundo. A do primeiro andar, como vês, é que mais geito nos dá para a pontaria, porque a rua aqui é larga. Deu-se o tiro nas costas do rei, suppomos. Nada mais facil que o escapar-se a gente. Esta casa d'onde sahiu o tiro está trancada com alavancas. O povo naturalmente quer arrombar a casa, d'onde sahiu o estrondo, não é assim? Mas emquanto se arromba a porta, passamos nós para esta casa do meio, pela communicação interior que temos aberta, e d'aqui passamos a estas que estão no beco de Pero Ponce, mettemo-nos ao meio da multidão, vestidos de atafoneiros, vamos sahir ao postigo de Nossa Senhora da Graça, cavalgamos á noite fechada, e passem por lá muito bem. Que te parece?

—Tudo isso é de Diogo Soares?

—É.

—E as casas tambem?

—As casas!..

—Não digo as casas que pintaste; pergunto se são d'elle e estão devolutos os trez predios representados n'estas linhas.

—Entendo o gracejo. Queres dizer que não estão á nossa espera trez casas com taes condições...