—Esperar el-rei, á entrada ou sahida da casa de Maria Isabel, e matal-o.
—E depois?
—Morrer, ou ás minhas proprias mãos, ou ás do carrasco.
—Acho isso bastante antigo;—volveu o outro motejando—parece-me grego ou romano; mas é tolo, consente á minha amisade que t'o escreva assim na fronte, é romanamente e gregamente tolo esse plano.
—O que tu quizeres. Devo dizer-te que assim mataria o padre, se elle houvesse sido amante de minha mulher.
—Onde mora tua mulher?
—Não sei.
—A quem o vais perguntar?
—Lá verei.
—Não verás nada; não acharás ninguem que t'o diga. Não se espera um rei á porta de uma amante. Os reis não entram nem sahem pelas portas, nem pelas janellas, nem pelas trapeiras das amantes. E o duque de Bragança, desde que D. Francisco Manuel lhe bateu no pateo da condessa de Villa Nova de Portimão (tu sabes que o pobre poeta está preso na Torre Velha ha quatro annos..) nunca mais andou n'estes cazos como homem em quem as pranchadas de uma espada não são brincadeira. A tal respeito, vem de molde informar-te, segundo as informações que teve Diogo Soares, que a sr.ª Maria Isabel não recebe o amante em sua casa; é recebida no palacio de Alcantara. Ninguem sabe quando; mas sabe-se por onde. O pavilhão e as colgaduras do seu camarim amoroso são as arvores da tapada; é o que os passarinhos lá cantam uns aos outros.