—Que faço!? divago sem destino, fatigo o corpo e alma: são exigências do soffrimento, minha Leonor.
—Pois bem—replicou ella entre ironica e meiga—agora que o soffrimento deve ser menos exigente, vive mais commigo.
—Viverei, filha, e compensar-te-hei dos dissabores que te dei involuntarios.
Houve grande reforma no viver da morgada dos Olivaes: cresceram os criados; cuidou-se no aceio da casa; emparelhou-se outro cavallo, com o que existia, para uso da carruagem; sacudiam-se as librés do pó de quatro annos; a mesa era servida por criado de gravata branca; algumas parentas de Lisboa reconheceram de novo os pergaminhos de Leonor; o proprio Sebastião de Brito voltou á casa de seus avós, com os cabellos cada vez mais variegados de côr do barro e azeviche. Trezentos mil reis mensaes, entregues no principio de cada mez, davam que farte para satisfazer as necessidades do luxo.
Maria da Gloria disse uma vez ao filho:
—Tua prima não aprendeu nada no infortunio.
—Por que, minha mãe?
—Não a vês toda embebida em pompas, e visitas, e jantares?
—E será ella feliz?
—Parece que é.