No entanto, a rapariga, offegante de medo, subia e descia de mansinho as escadas que levavam da agua-furtada, onde era o quarto da velha, ao segundo andar. De cada vez que voltava, ia á beira de Custodia, e segredava-lhe:

—Não ouço nada.

—Deixe-me cá...—resmuneou a creatura, que continuava de bôrco os seus arranjos com os espiritos superiores.

Corrido um quarto de hora sem que Innocencio fizesse rumor, a velha alçou a cabeça, e disse com modesto aprumo:

—Está tolhido! Os meus santos não se cançam de ouvir a peccadora. Devo uma novena ao meu padre Santo Antonio.

Acabadas de proferir estas palavras, reboou desde o patamar do escriptorio a vozeira de Gervasio José, chamando Thomazia.

Estremeceu a menina; e a velha ficou por momentos descrida de ter bem tolhido a lingua de Innocencio.

—Ai! e agora?!—exclamava Thomazia.

—Vá lá, vá lá; faça-se de novas, e negue, que eu cá fico a rezar... E não se me ponha lá a choramingar... ouviu? Noivo tem a menina...

—Então, digo-lhe ao padrinho que tenho noivo?... acho que o melhor é ser verdadeira, não é, Custodia?...