—Sim, senhor.

—E a Gomes? tambem. E a Luiza Leite? tambem. E a Emilia Fernandes? tambem. E as outras trapalhonas que andavam á pilha da tua fortuna? Todas te escreviam. Eu sabia a tua vida hora por hora. Olha cá o que te eu digo agora: essas raparigas, que te escreveram, ficaram deshonradas por isso?

—Não, senhor.

—E, se ellas casarem, os maridos ficam deshonrados por que tu te carteaste com ellas? Não; não ficam. Ficam ou não?

—Não, senhor.

—Então que estás tu ahi a malucar? Cuidei que tinhas outra cabeça, homem! Eu, se fosse a ti, e o Roque me viesse cá com essas trampolinices, dizia-lhe: «Ora, meu amigo de Peniche, vá dizer a sua irmã que metta a viola no saco, e que vá cavar pés de burro.» E, se lhe não dissesse isto, dava-lhe dois pares de murros á portugueza, que elle havia de ter que contar ao sarrafaçana do pae, que está levado de dez milhões de diabos por que não poude metter-me em casa a lambisgoia da filha. Arre, ladrões, vão ganhal-o!

E, dizendo, levou o filho pelo braço, recommendando-lhe que entrasse a rir-se, muito satisfeito no camarote.

E, de feito, Innocencio entrou a rir-se no camarote, com a mais infeliz cara que imaginaram Gavarni e Molière. O rir d’elle era uma dilatação lateral de bochechas, e o vertice da lingua apontado aos dentes. São tão poucos os infortunios sem um reverso ridiculo!

Perguntou-lhe Thomazia onde tinha estado.

—Andei a conversar com os amigos—respondeu elle meigamente, sem desmanchar o apparelho do riso.