Li, como editor, e reli, como critico, as SCENAS DA FOZ do snr. João Junior. Declaro que encontrei uma serie de scenas, que tanto podiam ser de S. João da Foz como de Freixo-de-Espada-á-Cinta. Entretanto, os quadros comicos são desenhados com um pouco mais sal que um artigo de fundo. Os episodios funebres estão escriptos em estylo de cavallo de carruagem, como dizia Voltaire.
Outro sim declaro, que não vi neste livro doutrina, palavra, phrase, ou virgula, que destoe dos maus costumes da época em que é escripta. Como cousa offerecida á humanidade, a offerenda é digna da deusa e do sacerdote.
Porto 2 de Junho de 1857.
O EDITOR,
Camillo Castello Branco.{6}
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DEDICATORIA.
Á ESPECIE HUMANA INCLUSIVE OS BARÕES.
Senhora! O sacerdocio da imprensa, cuja invenção se deve a um agiota do seculo XIV,[1] é a mais augusta das funcções, depois da «Arte de cozinha». Ocioso seria provar esta atrevida proposição, quando os exemplos saltam como camarões em terra secca. A rotundidade dos abdomens, e a estupidez prodigiosa dos proprietarios dos ditos, senhora, é a mais persuasiva prova de que a culinaria tem sobre a imprensa a primasia disputada por alguns sandeus que se deixaram morrer de fome, embebecidos, no paradoxo da sciencia.{8}
Sem embargo, porém, desta verdade, que palpita como um aneurysma, eu não posso deixar de reconhecer as grandes vantagens que podem provir a v. exc.ª da mirifica invenção dos typos.