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Portugal.

O LIVRO DE CESARIO VERDE

Prefácio

A JORGE VERDE

Aqui deponho em suas mãos e debaixo dos seus lábios o livro do seu irmão. A minha «obra» terminou no dia em que elle saiu da nossa doce amizade para a nossa terrível amargura: morri, meu querido Jorge—deixe-me chamar assim ao irmão do meu querido Cesario;—morri para as alegrias do trabalho, para as esperanças dos enganos doces! O desmoronamento fez-se, a um tempo, no espírito e no coração! Dos restos do passado deixe-me offerecer-lhe a dedicação extremada: peça-me o sacrifício; e, quando no decorrer da vida, se lembrar de nós, tenha este pensamento consolador:—A grande alma de meu irmão soube impôr-se a um coração endurecido; e tenha este outro pensamento: —Mas não estava de todo endurecido o coração que soube amal-a.

Adeus, meu querido Jorge!

S.P.

20 de julho de 1886.

Encontrámo-nos pela primeira vez no Curso Superior de Lettras. Foi em 1873. Cesario Verde marticulara-se no Curso em homenagem ás Lettras, como se as Lettras lá estivessem—no Curso. Eu matriculara-me, com a esperança de habilitar-me um dia á conquista de uma cadeira disponivel. Encontrámo-nos e ficámos amigos—para a vida e para a morte.